Camelôs de diversas regiões do Rio de Janeiro realizaram uma manifestação em frente à Prefeitura nesta quarta-feira (8) contra as novas medidas de ordenamento urbano na orla da zona sul. Os ambulantes, que usaram faixas e gritaram palavras de ordem como ‘Nós queremos trabalhar’, alegaram que a fiscalização impede o exercício de suas atividades e pediram um diálogo direto com o prefeito Eduardo Cavaliere.
O protesto ocorreu um dia após a prefeitura anunciar o Programa Tolerância Zero, que visa intensificar a fiscalização no Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon a partir de 16 de julho. Segundo a administração municipal, o programa tem como objetivo desarticular estruturas ligadas ao crime organizado que exploram ilegalmente o espaço público, sem afetar os trabalhadores autorizados.
O prefeito Eduardo Cavaliere destacou que ‘o objetivo é combater a exploração ilegal do espaço público pelo crime organizado’, enfatizando que a legalização é essencial para o exercício de atividades econômicas. O secretário municipal de Ordem Pública, Marcus Belchior, afirmou que a operação será permanente e contará com ações de inteligência em colaboração com as forças de segurança.
Durante a manifestação, camelôs expressaram preocupação com a associação generalizada da categoria ao crime organizado. Marcos da Silva, vendedor ambulante há mais de 20 anos, afirmou que nunca enfrentou cobranças de criminosos para trabalhar e pediu que apenas os infratores sejam punidos.
Outra manifestante, Jéssica Bárbara Cavalcanti, relatou dificuldades para sustentar seus filhos devido à falta de trabalho. A coordenadora do Movimento Unido dos Camelôs, Maria de Lourdes do Carmo, pediu à prefeitura que avance na regularização dos trabalhadores que aguardam autorização, ressaltando que muitos estão na fila desde 2009.
O Programa Tolerância Zero, instituído por decreto, estabelece uma política permanente de fiscalização do comércio irregular na orla carioca, com medidas como apreensão de mercadorias sem comprovação de origem e monitoramento por drones. A prefeitura assegura que comerciantes autorizados continuarão suas atividades e que alternativas para legalização serão ampliadas.