O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) realizou, nesta segunda-feira (3), a ação “O Sistema Eletrônico por Dentro”, que apresentou o funcionamento da urna eletrônica em detalhes para representantes da imprensa e de entidades fiscalizadoras. O evento, realizado no Grande Hall do Palácio da Democracia, integra a Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação e permitiu que os participantes conhecessem a estrutura interna do equipamento, seus mecanismos de segurança e as etapas que garantem a integridade do processo eleitoral.
Na abertura, o presidente do TRE-RJ, desembargador Claudio de Mello Tavares, destacou a importância de ampliar o conhecimento da população sobre o sistema eletrônico de votação, reforçando a confiança no processo eleitoral e o papel das entidades fiscalizadoras no combate à desinformação. “Norberto Bobbio ensinou que a democracia é o governo do poder público em público. Quanto mais olhos qualificados auditarem cada etapa, mais inquestionável se torna a legitimidade das urnas”, afirmou.
O magistrado exaltou a segurança e a rapidez da urna eletrônica, comparando com a época do voto em cédula, quando a apuração demorava dias ou semanas. “Trinta anos depois [da implantação da votação eletrônica], o país vota no domingo e, ao anoitecer, já sabe quem o governará. Sem tumulto, sem papel, sem erros de planilhas. Há democracias muito mais antigas que a nossa, levando semanas para contar o que nós contamos em horas”, disse.
A apresentação técnica foi conduzida pelo secretário de Tecnologia da Informação (STI), Michel Kovacs, que desmontou uma urna eletrônica e apresentou seus componentes internos, como o módulo de segurança, que garante que a urna somente execute sistemas oficiais da Justiça Eleitoral e assina digitalmente todos os dados. “São diversas camadas de segurança da urna eletrônica, que garantem a inviolabilidade do sistema e o sigilo do voto. Cada urna é capaz de assinar os dados que são enviados para a totalização com uma assinatura digital única de cada dispositivo, o que impede qualquer tentativa eventual de manipulação dos dados”, explicou.
Kovacs também falou sobre os lacres de segurança produzidos pela Casa da Moeda do Brasil, que protegem os cartões de memória e a mídia de resultados. Quando removidos, deixam marcas visíveis que indicariam uma possível violação. Ele apresentou o módulo impressor, responsável pela emissão da zerésima e do boletim de urna (BU). “Esse BU é disponibilizado imediatamente após o encerramento da votação ao público, permitindo que partidos políticos, fiscais, Ministério Público e cidadãos comparem os resultados divulgados pela Justiça Eleitoral na internet com os dados impressos na seção. Nunca houve qualquer resultado discrepante”, afirmou.
O especialista acrescentou que a urna eletrônica é um dispositivo isolado, sem conexão com internet, Wi-Fi ou Bluetooth, e que o código-fonte é aberto em cerimônia pública para entidades fiscalizadoras, com testes de segurança e auditorias realizadas antes, durante e após as eleições.
Participaram do evento representantes do Ministério Público, OAB, Sociedade Brasileira de Computação (SBC), Defensoria Pública e Conselho Federal de Engenharia e Agronomia, além de jornalistas de veículos como TV Globo, New York Times, Reuters, Agência Brasil, TV Band, GloboNews, Rádio Tupi e Rio TV Câmara. A mascote Pilili, inspirada na urna eletrônica, recepcionou os presentes.
O evento integrou a programação da Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação, uma estratégia integrada de comunicação do Tribunal Superior Eleitoral com os Tribunais Regionais Eleitorais, que busca ampliar o conhecimento da população sobre o funcionamento das eleições brasileiras.
