A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) recebeu, na quinta-feira (6), uma comitiva do governo da Rússia para discutir parcerias em áreas como engenharia naval, tecnologia oceânica, pesquisas climáticas e exploração de recursos naturais. O encontro foi organizado pela Superintendência-Geral de Relações Internacionais (SGRI) e aconteceu na Sala Copacabana, no prédio da Reitoria, na Cidade Universitária.
Durante a reunião, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, destacou o papel da universidade como parceira estratégica em projetos conjuntos no âmbito do BRICS e defendeu um mundo multipolar, baseado no respeito mútuo entre as nações. “Estamos muito entusiasmados com a possibilidade de nossos pesquisadores interagirem com as tecnologias apresentadas. É um momento histórico em que precisamos aprofundar ainda mais os nossos laços na nossa cooperação científica, tecnológica e na área de inovação”, afirmou.
Como resultado da visita, a Universidade Estatal de Moscou (Lomonosov) anunciou que concederá o título de Doutor Honoris Causa ao reitor da UFRJ em sua próxima viagem à Rússia. A comitiva russa, liderada por Nikolai Platonovich Patrushev, assessor do presidente da Rússia e presidente do Conselho Marítimo da Federação, elogiou a infraestrutura da UFRJ, especialmente o Laboratório de Tecnologia Oceânica (LabOceano) da Coppe, classificando-o como “instrumento único para a indústria” e fundamental para o desenvolvimento da construção naval e exploração de depósitos marítimos.
Patrushev destacou a combinação entre ciência fundamental e desenvolvimento aplicado na universidade, sugerindo ampliar a cooperação com instituições russas. “No território da UFRJ existe o Parque Tecnológico, onde as escolas da Engenharia trabalham em ligação estreita com as esferas petrolífera e de energia do Brasil. Existem também as divisões de pesquisa que tratam das questões de exploração de depósitos de alta profundidade e desenvolvimento de novas soluções tecnológicas para a Marinha. Tal combinação é fundamental para elaborações práticas e cria base para o treinamento de especialistas que hoje trabalham nos estaleiros e escritórios de engenharia e institutos de pesquisa do Brasil”, afirmou.
Os representantes russos apresentaram parcerias tecnológicas com o Instituto Kurchatov, incluindo veículos subaquáticos tripulados e o Projeto Elena, que desenvolve usinas nucleares para áreas remotas. As discussões técnicas também abordaram robótica autônoma e materiais compósitos resistentes à corrosão para a indústria naval e de petróleo. Do lado brasileiro, o professor Leonardo Borghi, do Laboratório de Geologia Sedimentar (Lagesed), detalhou pesquisas sobre o pré-sal, tecnologias de sequestro de CO2 e a importância do intercâmbio cultural entre jovens, simbolizado pela oferta de um atlas das jazidas brasileiras.
O professor emérito da Coppe e diretor-geral do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (Inpo), Segen Farid Estefen, relembrou a influência histórica da Rússia no ensino naval brasileiro e manifestou interesse em parcerias com a Universidade Técnica Marítima de São Petersburgo e colaborações no setor pesqueiro. Após a reunião, a comitiva visitou as instalações do LabOceano.
