A Prefeitura de Niterói lançou, nesta segunda-feira (24), o Programa PASSO, que usa inteligência artificial para prevenir complicações nos pés e amputações em pessoas com diabetes. A cidade é a primeira do estado do Rio a adotar a tecnologia, que identifica precocemente pacientes em risco e orienta o cuidado necessário.
O projeto-piloto começa em quatro unidades de Atenção Primária: UBS do Barreto, UBS Santa Bárbara e os Módulos do Médico de Família (MMF) Maruí e Ititioca. Após essa fase, a ideia é ampliar para toda a rede municipal, incluindo unidades básicas e módulos, e, quando necessário, levar o atendimento até a casa do paciente.
O rastreamento usa a plataforma AFoot, desenvolvida pela LookInside e registrada na Anvisa. Durante a avaliação, o profissional faz perguntas, examina os pés e registra imagens pelo smartphone. A inteligência artificial analisa os dados e indica o risco de complicações, auxiliando os profissionais de saúde na tomada de decisão.
“Essa tecnologia vai nos ajudar a detectar precocemente o risco, antes mesmo de aparecer qualquer tipo de lesão, para que possamos intervir e evitar complicações futuras”, afirmou a secretária municipal de Saúde, Ilza Fellows.
Moradora do Barreto, Lúcia Nunes, de 63 anos, foi uma das primeiras avaliadas. Ela elogiou a rapidez do exame e destacou a importância do acompanhamento: “Gostei muito. O exame foi fácil e o resultado saiu rápido. Agora vou continuar fazendo o acompanhamento de 30 em 30 dias. Foi muito importante porque tenho muito medo de perder o meu pé”.
Pessoas com diabetes podem ter alterações na circulação e sensibilidade dos pés, elevando o risco de feridas que, sem tratamento, podem levar a infecções e amputações. A avaliação periódica é essencial. O diretor médico da LookInside, Hermílio Carvalho, explicou que a tecnologia gera uma avaliação personalizada e contribui para a qualidade de vida: “Para o paciente, isso significa uma avaliação mais ágil, a prevenção de complicações e uma melhoria na qualidade de vida ao prevenir amputações”.
A inteligência artificial é uma ferramenta de apoio e não substitui a avaliação clínica. Com a identificação dos níveis de risco, as equipes podem intensificar o cuidado dos pacientes mais vulneráveis, agindo antes que feridas evoluam para quadros graves.