No estado do Rio de Janeiro, 12,8 milhões de eleitores estão aptos a votar em outubro, sendo 2,1 milhões residentes em 1.724 favelas, conforme dados do Censo Demográfico de 2022 do IBGE. Essas áreas, apesar de históricas, enfrentam desafios significativos de urbanização e acesso a serviços públicos, evidenciando a desigualdade na presença do Estado.
Na cidade do Rio, 1,3 milhão de pessoas vivem em 813 favelas, que possuem menos acesso à rede de esgoto e água, além de menor cobertura na coleta de lixo. A professora Eblin Farage, da UFRJ, destaca que essas comunidades não são homogêneas e possuem diferentes realidades.
Com as eleições se aproximando, moradores de favelas expressam à Agência Brasil suas prioridades, incluindo melhorias em mobilidade, educação, cultura, saúde e segurança. A jovem Letícia Vitória Guimarães, de 16 anos, do Complexo do Alemão, destaca a importância de candidatos que dialoguem e estejam abertos a ouvir as demandas da comunidade.
Letícia também menciona a necessidade de transporte adequado, afirmando que a falta de linhas de ônibus dificulta o acesso a oportunidades de lazer e trabalho. Outros moradores, como a jornalista Isabelle Rodrigues Trindade, de 26 anos, enfatizam a busca por emprego e a necessidade de propostas que melhorem as condições de trabalho.
Além disso, a estudante Sara Sant’anna, de 24 anos, clama por mais centros culturais e cursos superiores na zona oeste, onde a oferta é limitada. As desigualdades raciais também são uma preocupação, com a maioria dos moradores das favelas sendo negros, conforme dados do IBGE.
O pesquisador Hugo Oliveira, da Galeria Providência, ressalta a importância de discutir temas como racismo e saúde nas campanhas eleitorais, afirmando que as eleições devem ser uma oportunidade para promover lideranças locais comprometidas com as comunidades. No entanto, ele observa que a presença do crime organizado dificulta a participação política nas favelas.