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sexta-feira, 11 de setembro de 2026
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Nova Iguaçu aciona Ibama após danos na drenagem durante obras da Dutra

Nova Iguaçu aciona Ibama após danos na drenagem durante obras da Dutra
Nova Iguaçu aciona Ibama após danos na drenagem durante obras da Dutra
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A Prefeitura de Nova Iguaçu acionou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) após técnicos identificarem danos à rede de drenagem durante as obras de ampliação da Via Dutra, realizadas pela concessionária Ecovias Rio Minas.

Em alguns trechos, as tubulações danificadas não foram substituídas e receberam adaptações conhecidas no jargão de campo como “bacalhaus”. O problema foi registrado em vídeo e divulgado nas redes sociais. O material foi encaminhado ao órgão ambiental, responsável pelo licenciamento da ampliação da rodovia e que também terá participação no licenciamento ambiental para a operação do empreendimento após a conclusão das obras.

Os trechos ficam no bairro Rancho Novo, entre a Rua Luís Sobral, a Avenida Nilo Peçanha e a Rua Panamá. Durante uma vistoria, equipes da Prefeitura constataram que os serviços da concessionária haviam atingido a rede de drenagem existente. Em vez da substituição das tubulações comprometidas, foram feitas adaptações para recompor os trechos danificados.

A descoberta é mais um capítulo de uma discussão que se arrasta desde 2024. A Prefeitura cobra que a ampliação da Dutra não se limite às novas pistas, mas seja acompanhada de soluções de drenagem compatíveis com uma cidade que cresceu e se adensou ao longo das últimas décadas. A água da chuva precisa ser conduzida por galerias e canais que atravessam por baixo das pistas da rodovia até chegar aos rios e demais cursos d’água.

Por isso, a ampliação da Dutra precisa garantir vazão suficiente para que a água siga seu curso. Sem essas adequações, a rodovia pode funcionar como uma barreira ao escoamento, favorecendo o represamento e aumentando o risco de alagamentos nas áreas urbanizadas. Todas essas recomendações técnicas foram encaminhadas à concessionária que ignorou as solicitações e seguiu a obra sem as adequações necessárias.

“Ninguém questiona a importância da ampliação da Dutra. É uma obra necessária e que Nova Iguaçu quer ver pronta. O que não dá é modernizar a rodovia e não olhar para a cidade que cresceu ao redor dela. A drenagem também precisa acompanhar essa transformação. E é ainda mais preocupante quando, além de não termos as adequações que estamos cobrando, encontramos tubulações danificadas pela própria obra e remendadas”, afirma o prefeito Dudu Reina.

A concessão prevê R$ 14 bilhões em investimentos, valor quase sete vezes superior ao orçamento anual de Nova Iguaçu. Desde o início das obras, financiadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), equipes municipais realizam vistorias, analisam projetos e apresentam propostas para evitar que as obras comprometam o escoamento das águas e agravem os alagamentos na cidade.

Em setembro de 2025, durante uma reunião entre Prefeitura, Ecovias Rio Minas e Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), ficou estabelecido que a concessionária apresentaria, em até 90 dias, os projetos técnicos para a ampliação da rede de drenagem. O prazo terminou sem a entrega do estudo.

Em fevereiro deste ano, durante nova vistoria, os técnicos municipais encontraram as obras avançando para a etapa de pavimentação, sem que as intervenções necessárias na drenagem tivessem sido suficientemente demonstradas.

Cobrança chegou à Justiça Depois de notificações, reuniões e cobranças à concessionária e à ANTT, a Prefeitura recorreu à Justiça e pediu a paralisação das obras até a apresentação dos projetos e das soluções necessárias para compatibilizar a ampliação da Dutra com a rede de drenagem de Nova Iguaçu. O assunto também é acompanhado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

Agora, diante dos danos identificados na rede existente, o município também pediu ao Ibama que adote as medidas cabíveis e cobre da concessionária as providências necessárias para reparar os trechos afetados e garantir que a ampliação da rodovia não comprometa o sistema de drenagem da cidade.

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