O número de brasileiros em situação de endividamento de risco alcançou 20,3 milhões em junho de 2026, um aumento de 75% em cinco anos, conforme o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central (BC) divulgado nesta terça-feira (27).
Esse total representa 17% dos devedores do Sistema Financeiro Nacional. Para enfrentar essa crescente preocupação, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, anunciou que a instituição planeja implementar novas medidas ainda este ano para limitar ofertas agressivas de crédito.
As ações devem focar em consumidores que já utilizam crédito rotativo ou que estão com pagamentos em atraso. “Pretendemos adicionar medidas ainda este ano”, destacou Galípolo, ressaltando a preocupação com aqueles que enfrentam altas taxas de juros e dificuldades financeiras.
O relatório também revela um aumento no comprometimento da renda com dívidas de cartão de crédito em todas as faixas salariais. Entre os que ganham até dois salários mínimos, o comprometimento chegou a 42% da renda em junho de 2026.
Na última sexta-feira (23), o BC anunciou medidas para restringir ofertas inadequadas de crédito e aumentar a transparência na contratação de empréstimos. As instituições financeiras deverão permitir que consumidores bloqueiem publicidade e propostas ativas de crédito, e as ofertas para aqueles em risco de endividamento excessivo dependerão de autorização prévia.
Essas regras visam evitar o agravamento do endividamento das famílias brasileiras e entrarão em vigor em 31 de março de 2027, com outras medidas programadas para julho do mesmo ano.